24 de abril de 2009

A elite brasileira não tem limites


Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) detectou irregularidades no ProUni a partir do cruzamento da lista de beneficiários do programa com cadastros oficiais, entre eles o Renavam (Registro Nacional dos Veículos Automotores). Essa checagem apontou que 0,6% dos beneficiários do ProUni são proprietários de carros novos e de luxo como o Honda Civic, Toyota Hillux, Zafira, Pajero, Vectra, Fusion, com valores estimados entre R$ 55 mil e R$ 198 mil. Com base no cruzamento com outros cadastros foram identificados indícios de irregularidades que envolvem aproximadamente 30 mil bolsistas, ou seja, quase 8% do total de 385 mil beneficiários.


O ProUni – Programa Universidade para Todos, é um programa do Governo Federal que se propõe à ampliação do acesso à educação superior em instituições privadas, destinado a pessoas de baixa renda, ou seja, a bolsa integral para jovens com renda familiar mensal percapita de até um salário mínimo e meio (R$ 697,50) e a parcial para jovens com renda familiar mensal percapita não superior a três salários mínimos, entre outros critérios o estudante precisa ser egresso de escolas públicas.


Quando o Presidente Lula criou o ProUni essa elite que hoje frauda o programa, tinha um discurso discriminatório. Afirmava, entre outras coisas, que o governo queria formar alunos desqualificados, incapazes de escrever uma carta ou ler um livro, que alunos mal preparados do ensino público estariam sendo privilegiados em detrimento dos mais preparados de escolas privadas. Sem entrar no mérito dessa discussão eu gostaria apenas de fazer um comentário sobre a capacidade de inclusão social desse programa. Em uma pesquisa feita por telefone no mês passado pelo Instituto Ibope a pedido do Ministério da Educação, 80% dos entrevistados disseram estar saindo da universidade com emprego garantido. Esse índice era de 56% antes de os estudantes entrarem no programa. Além disso, 68% afirmaram que a renda familiar aumentou desde a entrada na faculdade.


O que essa gente que tanto criticou o ProUni, e hoje frauda o programa, não percebia é que o governo estava fazendo uma revolução na Educação, ao incluir jovens no ensino superior ele também diminuiria as desigualdades sociais.


Voltando à auditoria do TCU, o Ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que nos casos em que foram constatados erros, os bolsistas serão desligados do ProUni. Se houver indício de má fé, o Ministério Público será acionado e o governo tentará obter a devolução do dinheiro na Justiça. Disse ainda, que é desejável que os bolsistas consigam estágios e empregos melhores ao longo do curso, elevando a renda familiar, mas que nesse caso o problema está na informação que o estudante presta antes de ganhar a bolsa.


O que de fato impressiona nessa história toda é a falta de caráter da elite brasileira. Não satisfeitos com todas as regalias e privilégios que sempre tiveram, agora querem tirar lugares destinados às classes menos favorecidas. A voracidade da elite brasileira, sempre querendo mais, e mais, e mais é assustadora. Já passou da hora do governo e o povo brasileiro dizer basta! É preciso limitar a saciedade desta gente sanguessuga de vida e de esperança!

3 comentários

Herval Junior

Certíssima,Lúcia! "As suas piscinas estão cheia de ratos..."

Júlio Pegna

Muito bem colocada sua opinião, Lúcia!
As elites econômicas não necessariamente são as elites intelectuais; nosso povo deve ter direito de acesso ao ensino superior, e isso Lula está fazendo.
O futuro deste país depende da educação. Foram décadas de sucateamento do ensino público em benefício da classe média alta. À partir do governo do PT,a educação superior é universalizada, encurtando o caminho para o sucesso!

SANDALIAS DO PIRATA
http://sandaliasdopirata.blogspot.com

La Pasionaria Ibarrure

Constatamos que a lei de gerson ainda impera na sociedade brasileira. Lamentável é ver quem ontem desqualificou o Prouni, hoje eteja se benefeciando dele de maneira fraudulenta. Temos que ter mecanismos de fiscalização e controle dessas verbas, que deveriam ser destinadas a estudantes carentes.