17 de março de 2012

Sobre os commodities e o PIB.

Toda Nação moderna desenvolvida alcançou esta condição investindo pesadamente em educação. É um fato constatado pela história recente.

O Brasil, emergente, não será considerado desenvolvido antes de assegurar a sua gente pleno acesso à educação e à cultura. Ninguém duvida.

Entretanto, há que se considerar que, desde Cabral, nunca houve qualquer movimento no sentido de investir na educação de qualidade no Brasil, valorizando o professor, oferecendo instalações e equipamentos, mirando o futuro da população em geral, que necessita de formação adequada para conseguir bons empregos e, por consequência, levar o país ao desenvolvimento.

Nos últimos anos, especificamente desde o inicio da era Lula, o rumo mudou. O programa de desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores aponta para um fator que é ainda mais importante que a educação: a erradicação da miséria. Até então, o modelo politico-econômico latinoamericano era o de beneficiar uma pequena parcela da população, a menos necessitada, com pesados investimentos públicos em educação enquanto a imensa massa trabalhadora nunca teve nada mais que migalhas do Estado. A escola pública, do ensino fundamental ao segundo grau, é uma lástima, um verdadeiro pesadelo para aquele que pretende ascender profissionalmente.

Até pouco tempo, os alunos do ensino público de nivel superior eram sempre os mesmos. Brancos, classe média alta. Hoje, apesar da pequena mudança, não é mais assim. Já há um contingente de negros, pobres, que alcançam os bancos universitários públicos em todo o país. É muito pouco. Ainda.

O que isto tem a ver com os commodities, titulo deste post? Tudo!

Para atingirmos o minimo de qualidade em educação pública temos que investir a longo prazo. Duas ou três gerações. 30 ou 40 anos, se começarmos agora. É preciso que a mobilização em favor da educação seja efetiva, que os mandatários de cargos eletivos sintam-se obrigados a proporcionar melhores condições para a educação dos filhos e netos de seus eleitores. Isso só irá acontecer com pressão popular.

Enquanto isso, a erradicação da miséria está em curso. Ainda falta muito, é claro, mas os milhões de brasileiros que engrossam a camada intermediária da sociedade já pensam de forma diferente, querem mais e, em breve estarão mobilizados para criar mais oportunidades para suas familias.

Agora, voltando ao tema "desenvolvimento", fico imaginando o que devemos fazer para esperar estes 30 ou 40 anos, até que tenhamos educação o suficiente para nos tornarmos estáveis economicamente. Não existem muitas alternativas. Uma delas é fazer o pais crescer da maneira mais sustentável possível, o mais rápido possível, pois as necessidades são urgentes. São 500 anos que precisamos recuperar!

O mundo ocidental capitalista de hoje, este que estamos inseridos, nos ofereceu a possibilidade de crescer. O Partido dos Trabalhadores, cuja filosofia é distribuir a renda através do emprego, soube usar suas ferramentas para nos colocar numa posição de destaque no cenário econômico internacional. Fez desenvolver o mercado interno com intervenção estatal via bancos públicos, desonerou empresas para a geração de emprego, criou linhas de micro-crédito para o pequeno empreendedor, valorizou a agricultura familiar, criou programas de financiamento para a compra da casa própria, distribuiu renda através de programas sociais, e tantas outras ações importantes e reconhecidas pela população.

Hoje, uma das fontes de equilibrio da conta-corrente é a exportação. Sobretudo de matérias-primas primárias, as chamadas commodities. Que mal há nisso?

Li uma frase do competente jornalista Laerte Braga, colega deste blog, que admiro pela forma clara e direta como expõe suas idéias - apesar de discordar de muitas delas. Mas o respeito a ele e à democracia me levam a refletir sobre o que ele escreveu recentemente:


'Somos dependentes em tudo e por quase tudo de tecnologias estrangeiras e gradativamente, mas de forma acelerada, vamos voltando à condição de exportadores de matérias primas.
Ou seja, andando para trás, por maiores que sejam os números do PIB.'

Laerte é um homem de esquerda mas parece se deixar influenciar pela opinião da direita. É compreensível , já que a velha mídia insiste neste tema e são poucas as vozes contrárias a este engodo que tentam passar. Como se já tivéssemos tido, algum dia, cientistas e pesquisadores capazes de criar novas tecnologias ou, se este governo tivesse obrigações para com aqueles que sempre se beneficiaram de seu caixa.

É verdade que somos dependentes de tecnologias estrangeiras mas é mentira que estamos andando para trás. Se, por um lado, nunca tivemos capacidade de investir em educação para criar tecnologias, por outro, os números da melhora do bem estar social crescem proporcionalmente ao PIB! Afinal, isso não é andar para a frente?

Uma sociedade ideal é aquela formada por populações com acesso universal à saúde e à educação de qualidade, com emprego e renda, sem miséria ou pobreza. O que temos - inegavelmente conquistado pelo PT e seus aliados e, agora, continuado por Dilma Rousseff, é parte desta equação solucionada. 

E, assim, quando mais tarde a imensa classe média dominante sair às ruas exigindo melhores salários para os professores de seus filhos, estarei ao lado deles, orgulhoso por estar diante do pais que sonhei ver um dia.

Me desculpe, amigo Laerte, por ser um velho dinossauro idealista. Já está em curso, bem diante de nossos olhos, a  mudança que sempre quisemos e, apesar da nossa idade e da nossa velha luta, nunca vimos.


Se, para erradicar a miséria, gerar emprego e renda, investir em educação e saúde, for necessário exportar commodities, vamos àdiante! Não tenho vergonha de viver num país plantador de soja e criador de frango; explorador de petróleo, gás e minério de ferro! Terei orgulho de dizer, em breve, que os brasileiros não passam fome e que seus filhos tem acesso a escolas e saúde públicas.

Júlio Pegna


2 comentários

Fátima Alcântara

Prezado amigo, concordo em parte com tudo aquilo que escreveu, porém há de salientar-se que as mudanças alcançadas também tem participação de governos passados; quanto a atuação do PT, embora não seja simpatizante dos mesmos, reconheço que fizeram realmente um bom trabalho. Só quero lembrar que ainda estamos realmente muito longe de ver este país ideal, pois, parece-me ainda que mascararam a miséria e a fome e não mudou muito, pois ainda existem muitos miseráveis nas ruas, muitos sem moradia e milhões de desempregados. E não falo isso com uma visão de fora, mas participante de cada fator aqui falado. Tenho visto e presenciado isto no meu cotidiano, no trabalho, na faculdade e na minha vida social. E olha que são bem agitados e enumerados de pessoas ao redor.
Bem, cada um vê da perspectiva que mais lhe convém, eu porém, quero apreciar as coisas com imparcialidade quanto as minhas escolhas políticas; também porque, não tenho admiração alguma pelo PT, mesmo assim consigo enxergar algumas de suas atuações bem sucedidas em sua permanência no governo e em especial, admiração pela nossa Presidente Dilma Roussef.

Tenha uma boa noite

Júlio Pegna

Cara Fátima Alcântara, obrigado por sua mensagem, bastante lúcida e clara.
Entendo e compartilho perfeitamente seu ponto de vista. Digo, sempre, nos meus blogs, que anda há muito por fazer neste pais mas, em termos de desenvolvimento econômico, foi feito muito mais que em todos os governos anteriores juntos.
Sim, houveram méritos em governos passados, mesmo no período militar. Mas, infelizmente, o foco do crescimento sempre foi baseado na segregação de uma massa de miseráveis para manter a "dolce vita" daquela meia dúzia dos mesmos de sempre! Na história recente, entretanto, só o governo Lula/Dilma foram capazes de integrar na vida social e econômica milhões de pessoas - apesar da crise sem precedentes no mundo capitalista ocidental. Isso é um fato, reconhecido por todos, exceto pela midia tupiniquim que perdeu seu espaço na condução politica do Brasil.

Nosso dever, enquanto pessoas com acesso a este espetacular meio de comunicação, que é a internet, é poder levar pontos de vista para discussão. Não se trata de perspectiva que mais me convém escrever que ser exportador de commodity pode ser bom, neste momento de crise. O importante é concordarmos que não é mais possivel querer manter milhões de pessoas na pobreza e, apesar de ainda serem muitos, me orgulho de saber que a classe média brasileira, a classe C, está em franco crescimento.

Te agradeço, Fátima, pelo tempo dispendido para ler e comentar num blog de (alguns) petistas e outros, não. É isso que faz o Brasil ter consciência politica saudável, democrática e inteligente!

Júlio Pegna