17 de novembro de 2008

Uma Farsa em três atos ou...


O modus operandi da Imprensa comprometida.



Ato 1

São Paulo, zona leste. Escola estadual é depredada por alunos de ensino básico.
Tudo começou com uma briga entre duas adolescentes e terminou em pancadaria generalizada, alunos batendo em alunos, polícia batendo em alunos e professores trancados em uma sala para não apanhar.

Que lamentável notícia. Em tempos não muito remotos, alunos também brigavam na escola, ou melhor na porta da escola.

_ Te espero na saída! Lá fora eu te pego!

Dentro da escola, ninguém ousava.

O diretor era uma presença forte e impunha respeito, ou medo.

O professor tinha voz de autoridade e a pancadaria até podia acontecer, mas extra muros, pois a escola era território neutro.

Nos últimos 16 anos de desgoverno no estado de São Paulo o choque de gestão tucano conseguiu a proeza de transformar a escola em campo de batalha, professores desmotivados, desmoralizados e trancados em uma sala de aula com medo dos alunos e a PM chamada a desempenhar o papel de inspetores de alunos.

É sintomático que uma cena de horror como essa aconteça depois de anos e anos que o estado de São Paulo, por exemplo, não faz concurso público para repor o cargo de inspetor de alunos.
Na lógica do “enxugar a máquina”, as escolas vão se virando com pessoas despreparadas e descompromissadas das “frentes de trabalho”, de “cooperativas de terceirização de funcionários” e no último ano, depois de muitas denúncias sobre as tais “cooperativas” através de contratação com processo seletivo “meia boca” de serventes, merendeiras e inspetores de alunos.

Quando a bomba explode, vem os “jornalistas”, “analista”, “especialistas”, futurólogos e mães Dinahs, explicar o inexplicável: é a desagregação da família; são crianças sem berço, são jovens sem educação ( ops. cuidado isso pode comprometer a escola). Ninguém consegue entender um ato de vandalismo como esse e todos com cara de paisagem decretam:
Os culpados são os alunos.

A escola é boa, mas os alunos...



Ato II

Fantástico programa dominical de integração da família brasileira. Ou, como diz um amigo meu, programa de depressão da família brasileira, pois te lembra que dali a algumas horas já é segunda feira.

Matéria jornalística “isenta”, mostrando escolas públicas que mais parecem o paraíso na terra, Ambientes limpos e bonitos, alunos bem penteados e uniformizados, mães robustas e sorridentes, voluntários dispostos e atuantes. A comparação com fotos: antes esta escola era feia e perigosa, os adolescentes não queriam vir para a escola, hoje não querem sair daqui.

Mães e voluntários do “amigos da Rede Globo, ops, Amigos da Escola, dando depoimentos motivadores:

Esta escola agora é uma comunidade
Temos atividades nos finais de semana,
Somos uma grande família,

Conclusão:
Seja um voluntário do “amigos da rede globo, ops. amigos da escola”
Trabalhe voluntariamente e ajude os tucanos a enxugar a máquina.
Escola onde há voluntários e a participação de toda a comunidade não há violência, as crianças aprendem, os professores ensinam e a Rede Globo fatura e tira da reta o ...... do governador.
A escola é boa, os alunos são bons, a comunidade é domesticada e o PSDB será reeleito.



Ato III

Conclusão, ou teorizando esta prática.

" A persuasão subliminar seria a capacidade que uma mensagem teria de influenciar o receptor. Segundo a hipótese, toda mensagem subliminar tem um determinado grau de persuasão, e pode vir a influenciar tanto as vontades de uma forma imediata (fazendo por exemplo, uma pessoa sentir vontade de beber ou comer algo), como até mesmo a personalidade ou gostos pessoais de alguém a longo prazo (mudando o seu comportamento, transformando uma pessoa tímida em extrovertida). Esse grau de persuasão deveria variar de acordo com o tempo de exposição à mensagem, e a personalidade do receptor."
(Wikipédia)


Não discordo que a participação da comunidade é de suma importância. Também defendo a ativa participação dos pais na vida escolar de seus f ilhos, está provado cientificamente que o aluno que melhor se sai nos estudos tem família atuante e participativa. Porém, e sempre há um porém, esta pseudo participação em que os pais e a comunidade são chamadas apenas para lavar a louça do banquete, mas jamais para definir o cardápio e participar dos comes e bebes é conversa mole para boi dormir e, o povo já aprendeu o refrão de antanhos......”Fora Rede Globo, que a gente não é bobo.”


Por: La Passionária Ibarrure

2 comentários

Oswaldo

Com certeza a gente não e bobo, não ou melhor alguns ainda são e por isso organizações Globo,ainda existe.

Dom Deboche

""A voz e o dono da voz".
O título da música do Chico entrega o que me faz indignado. Chico Buarque escreveu os versos da letra, em "homenagem" à globo sintetizada na voz do Cid Moreira e a seus patrões, a ditadura militar.
Não adianta muito atacar o porta-voz e não atingir o "dono da voz": o capitalismo no seu patamar neoliberal.
O abandono da estrutura de serviços que o Estado tem a obrigação de prestar aos cidadãos é responsabilidade dos poderosos que acreditam que ao estado cabe apenas o "meio de campo", cabendo à livre iniciativa a execução dos serviços.
Saúde capenga, Educação falida, infra-estrutura ausente.
Chegamos ao nível de excelência de não termos estado nem iniciativa privada.
Mesmo com todo o esforço de Lula, mudar o que se instalou aqui ainda demora muito.
Para haver mudanças, é necessário, fundamentalmente, que haja MOBILIZAÇÃO e participação efetiva da sociedade - beneficiária direta da existência do estado.