17 de novembro de 2008

"É o Jango, é o Jango...é o Jango Goulart!"*




Dia 15 de novembro “comemora-se” a proclamação da República no Brasil. As aspas estão aí por conta de que ninguém comemora nada. Nas escolas não se explica o que significa esse feriado e a importância de um tipo de governo republicano e democrático.
É mais um dia de praia. Só. Este ano, então, que caiu num domingo, nem isso.

Mas eu comemorei particularmente, quando li que o ex presidente João Goulart tinha sido anistiado pelo governo brasileiro do presidente Luis Inácio Lula da Silva, nesta data significativa de 15 de novembro, em que se deveria comemorar a proclamação da República. O golpe militar rasgou a nossa constituição diariamente durante os 24 anos de exceção, através de atos inomináveis de torturas, perseguições, censuras e corrupção. Que Jango se torne, a partir de agora, um mártir dessa República vilipendiada. Que possamos, daqui em diante, comemorar essa anistia dada como marca de tempos que estão concluindo, ainda que muito lentamente, as reformas pretendidas por Jango. Apesar de tardia, o significado simbólico desta anistia no dia da República, é mais importante do que o tempo que levou para ser concedida..
Espero que, no próximo 15 de novembro possamos estar comemorando também o fato de que as investigações sobre a morte suspeita desse ex presidente deposto estejam em franco progresso. Seu filho, João Vicente Goulart, já procurou diversas vezes as autoridades, inclusive apresentando uma testemunha da ação criminosa comandada pelo delegado Fleury, a pedido do General Geisel.



"Nunca será demais destacar o papel heróico de Jango para o povo brasileiro, uma vez que ele representa como poucos o ideal de um Brasil mais justo, mais igualitário e mais democrático. Infatigável defensor da pátria e das reformas de base, Jango viu o ocaso do Estado de Direito no Brasil, que o obrigou ao exílio, do qual retornou sem vida, para ser sepultado em sua amada terra natal"(...)"É a primeira vez que o Estado pede desculpas por ter quebrado a via democrática e ter rasgado a Constituição brasileira. Este é um momento que ficará em nossa lembrança para que não possamos nunca mais repetir aquilo que aconteceu: para que não possamos nunca mais repetir o Estado Policial e a ditadura militar", avaliou Lula.


por Índia Kaapor

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*jingle da campanha de Jango nos anos 60

2 comentários

Júlio Pegna

Parabéns India bela belissima lembrança. Jango foi cruelmente assassinado a mando do general Geisel e, mais de 40 anos depois, foi reconhecido o direito a inenização.
Julio Pegna

ana cristina

Jango lembra meu pai. Ambos gauchos, chegados a um chimarrão. Conheciam-se e meu pai o admirava muito. A única vez que vi meu pai com os olhos marejados foi quando depuseram o Jango. Anos depois, fomos encontrá-lo no Uruguai, em Punta del Este, num carnaval. Meu pai entrgou a ele um envelope pardo , grande e recheado. Com o quê, não sei: nunca soubemos. Eu era garota mas fiquei muito emocionada de apertar a mão dele e dizer: é uma honra, meu pesidente!Ele riu largo, e me alisou o rosto.
Que se faça justiça apurando o caso. João Vicente merece ter a memória de seu pai resgatada. E nós, a do nosso presidente.