14 de setembro de 2011

Formação de professores é desvalorizada pelas universidades, avaliam especialistas

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O ambiente acadêmico ainda considera a formação de professores para a educação básica uma tarefa “menor” o que dificulta a melhoria da qualificação desses profissionais para atuar em sala de aula. Este é o diagnóstico de especialistas, pesquisadores e organizações da sociedade civil reunidas no Congresso Internacional Educação: uma Agenda Urgente. A formação de professores no Brasil foi tema de discussão em uma das mesas de debates, e há um consenso de que é necessária a revisão dos currículos dos cursos de pedagogia e de licenciaturas.

Um dos componente que deve ser fortalecido, na opinião dos debatedores, é o prático. Para os especialistas, o estágio precisa ganhar maior importância e deve ocorrer desde o início da formação do professor. Uma das principais críticas é que a universidade não prepara o professor para lidar com a realidade da sala de aula, que inclui problemas de aprendizagem e um contexto social que influencia no processo.

“A formação inicial deve estar visceralmente ligada à sala de aula. Ela deve ocorrer em dois lugares: na universidade, onde eu penso, discuto e estudo e naquele lugar que é objetivo maior do professor, a sala de aula”, disse Gisela Wajskop, diretora-geral do Instituto Singularidades.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin Leão, declarou que apesar do estágio ser obrigatório para a obtenção do diploma, em muitas escolas de formação ele não passa de uma “formalidade”. “O estágio é fundamental para conectar o que o aluno aprende na universidade e o mundo real. Ele precisa sair sabendo como são as escolas, quais são as dificuldades concretas que ele vai encontrar e quem é esse jovem que ele vai ensinar e que ele só estuda na psicologia. Mas o estágio precisa ser bem feito, orientado e cobrado”, ressaltou.

Uma das propostas apresentadas para melhorar a formação, é instituir nas licenciaturas e cursos de pedagogia uma espécie de residência, semelhante a que ocorre nos cursos de medicina e que é obrigatória para o exercício profissional. Leão aponta, entretanto, que a formação do professor não é a única variável que determina a qualidade do ensino. “A universidade que forma o professor da escola pública é o mesmo que forma o da particular. Mas, a segunda tem resultados melhores nas avaliações”, disse.

Membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) e do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos defende a criação de centros ou institutos de formação nas universidades que sejam separados dos departamentos que hoje oferecem as licenciaturas. “O professor da universidade que está preocupado em dar aula na escola de educação básica é visto no seu departamento como inferior porque não está preocupado em publicar artigos nas revistas de ponta”, declarou.

A desvalorização da carreira e dos cursos de formação têm levado ao fechamento das licenciaturas, conforme observou o vice-presidente da Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (Abruc), Marcelo Lourenço. “Nós estamos pedindo socorro porque os cursos estão fechando por falta de procura”.


Edição: Aécio Amado

2 comentários

Eugenio Hansen, OFS

Paz e bem!

Pois sonho
que a Dilma crie a
Universidade Federal Pedagógica
Leonel Brizola

só com Licenciaturas, Pedagogia, Biblioteconomia (com foco em Bibliotecas Escolares) etc.

Em si não resolveria o problema,
mas já daria um bom empurrão.

Anônimo

Na verdade os cursos de Licenciatura são um atraso para o Brasil. Pois as formações são muito frágeis. Enquanto um professor de ensino básico precisa de uma formação mais sólida que um bacharel, cria-se cursos com mais pedagogia do que conteúdo. Isto leva a uma distorção que á chamada formação continuada, que é uma maneira de deixar o formado preso a um sistema que não forma com o conteúdo, mas apenas mais pedagogia. E o problema continua.
Deveria se usar a legislação, e usar o curso de formação de docentes do ensino básico como sendo o próximo estágio de qualquer bacharel. Dai sim teremos um professor de qualidade.
Ah, claro, avisar aos governadores e prefeitos que salários de +- R$ 700,00 ou R$ 1.000,00 não irá resolver o problema da qualidade... quem se sujeita a viver com este salário depois de 4 a 5 anos de estudo árduo.
Talvez o Cid Gomes.