14 de novembro de 2010

Gabriel Chalita não deu conta da educação de São Paulo, pediu aos educadores que orassem.


Em 2005 os diretores e professores coordenadores da rede pública de São Paulo receberam em suas casas, um exemplar do livro do secretário de educação de São Paulo, Gabriel Chalita.
O "Educar em Oração", junto com o livro impresso um CD com declamações gravadas na voz do próprio Secretário de Educação e autor do livro.
Não vou opinar sobre a qualidade dos textos ou sobre os méritos intelectuais do autor. Cada um tem o direito de escolher suas leituras e de se identificar com as idéias dos autores.
Mas questiono a legitimidade de se impor valores católicos, ou de uma ala da igreja católica, como bons para toda rede pública de educação de São Paulo.
A escola pública tem que oferecer uma educação laica, isto é constitucional e indiscutível.
Ofertar aos alunos educação para a tolerância, para a convivência democrática com todas as crenças e todas as religiões. Esses valores humanísticos podem ser construídos e discutidos através de muitas áreas do conhecimento humano sem ter que, necessariamente, passá-los através desta ou daquela doutrina religiosa.
Ouvi um depoimento de um diretor de escola estadual, que assistia a um curso de capacitação de gestores, que não admitia que uma professora de sua escola iniciasse as aulas rezando com seus alunos a oração "Pai nosso".
Concordei com ele, pois a escola tem que contemplar a todos os alunos e, nem todos são católicos. Este episódio causou uma grande polêmica na sala de aula, pois uma parte dos diretores e professores coordenadores que estavam assistindo ao curso, estavam encantados com as video conferências que assistiam e com livro recebido do secretário Gabriel Chalita.
Durante a gestão de Gabriel Chalita na Secretaria de Educação de São Paulo, não houve nenhuma melhora nos índices de qualidade da educação paulista e nem houve diminuição da violência nas escolas, elemento que mais preocupava e preocupa os educadores.
Houve, porém, uma certa acomodação da luta da categoria por salários e por melhores condições de ensino. Não posso afirmar que o estilo "seminarista" do secretário foi decisivo para essa acomodação da categoria, pois a política de bônus também foi um fator decisivo para quebrar a espinha dorsal da luta sindical dos educadores paulistas. Mas posso afirmar, pois constatei no convívio com muitos diretores e professores, que havia um certo encantamento mágico da categoria com a literatura meio filsófica generalista, meio auto-ajuda de autoria do secretário Gabriel Chalita.
Tenho lido na imprensa notícia de que o Deputado Gabriel Chalita estaria cotado para ser o Ministro de Educação no futuro governo de Dilma Rousseff, ao mesmo tempo que se tenta destruir a imagem de Fernando Haddad e desqualificar o ENEM.
Sobre Haddad e o ENEM muitos já escreveram e ainda escreverão, pois o que está em jogo nesse celeuma é muito mais do que provas mal impressas ou cartões de respostas da prova com erros. Há interesses mil nessa questão: cursinhos pré vestibulares, a luta de uma elite encasteladas nas universidades que não quer a democratização da educação, professores universitários que ganham muito dinheiro através de suas consultorias para elaboraçao de questões de vestibulares, o medo que a elite tem de que sua "praia", as universidades públicas de melhor qualidade, sejam invadidas por pobres, pretos e nordestinos, etc.,etc.,etc.
Porém sobre essa especulação que circula na mídia de que Gabriel Chalita estaria cotado para ser Ministro d Edu cação escrevo em letras maiusculas e piscantes: SOU TERMINANTEMENTE CONTRA.
Não posso conceber que o MEC,que começou a fazer um bom trabalho para melhorar a educação pública brasileira da pré-escola até a universidade, corresse o risco de ver suas diretrizes retrocederem e que suas políticas para a educação do país assumissem o discurso vazio e genérico que o Chalita deu a SEE de São Paulo, em nome da paz hipócrita e piegas da doutrina católica da Canção Nova.
Quando o secretário Chalita distribuiu o livro "Educar em oração" para os diretores das escolas públicas de São Paulo, estava implícito nesse gesto o seguinte recado:
Não dou conta desse caos que é a educação de São Paulo, Orem e peçam a Deus.
Se não deu conta da educação de São Paulo imagine da educação do país.
Confiram neste vídeo, feito por educador encantado com a doutrina Chalitiana,a profundidade pedeagógica da mensagem de Gabriel Chalita e tirem suas próprias conclusões.










Oração do diretor

Senhor!
Minha missão não é simples nem fácil.
Liderar pessoas, gerar equipes motivadas comprometidas com o bem comum.
Antes, eu tinha de me preocupar com os afazeres do cotidiano.
Depois, com as questões pedagógicas.
Hoje, soma-se tudo isso a animação social.
Senhor!
Sei da minha responsabilidade e Te peço sabedoria.
Sabedoria para jamais destratar nenhum dos meus companheiros de jornada.
Sabedoria para entender a limitação de cada um e a minha própria limitação.
Sabedoria para dizer sim e para dizer não.
Senhor!
Não quero ser um líder autoritário.
Não quero jamais parecer o dono da verdade.
Não quero a insensibilidade dos que apenas cumprem o dever e se revestem de autoridade.
Snehor!
Ensina-me a distinguir autoridade de autoritarismo.
Que minhas conquistas sejam também as do grupo ao qual pertenço.
Permite-me ser frágil e ajuda-me a ser forte.
Senhro!
Tal qual jeremias, muitas vezes sinto que não sei falar. Não sei ir adiante. Sinto-me frágil!
Sei que me fortaleço em Ti. Mas, às vezes, esqueço-me de conversar Contigo.
Perdão, Senhor! Não queo chegar junto a Ti apenas para pedir. apenas para gritar por socorro.
Senhor!
Quero Te agradecer por essa oportunidade de trabalhar com gente. De ser gente. De ajudar a todos os que passam por mim a ser um pouco melhores. Mais felizes.
Obrigado, Senhor! Hoje e sempre. Obrigado, Senhor!
Amém.

(Gabriel Chalita- Educar em oração,2005)

Neste site, a vasta oferta filosófica do educador Gabriel Chalita.
http://vivercancaonova.wordpress.com/livros/471g/

Aqui estão lindas orações e reflexões, para obter paz, para pedir pelos filhos,netos, por amigos. Ou para agradecer a formatura , as dificuldades que ja foram superadas. Orar é para todos, desde cedo, nas mais diferentes situações. E por isso é possível educar em oração. **Contém 2 CD`s**

Ficha Técnica: Editora: Canção Nova ISBN: 85 887 278 97 Ano: 2005 Edição: 1 Número de páginas: 119 Idioma: Português BR Acabamento: Brochura Formato: 16×23 cm





4 comentários

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Este comentário foi removido pelo autor.
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Muito bom,
já tenho ouvido e visto alguns contentes na SEE/SP em saber que o "Chalitinha" estaria sendo cotado para o Ministério da Educação. Cruz Credo!! (desculpem o trocadilho). Seria um pesadelo. TAMBÉM SOU TERMINANTEMENTE CONTRA.

Beto Mafra

Passiô no melhor estilo "NO PASARÁN" que me encantou. Isso aí, guerreira.

Chulera o Chalita e ripa na chulipa.

Temos uma revolução a continuar.

Beto Mafra.

Raquel Volpato Serbino

Parabéns pela analise coerente e pelo feliz exemplo que trouxe para comprovar sua tese. Reação perfeita na hora exata.
O MEC não pode encarar a Educação Brasileira com Políticas "água com açucar". Não sou petista e sou católica. Mas , tenho certeza de que os desafios de nossa Educação carecem de propostas mais concernentes à TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.
O Gabriel Chalita é generalista...e a qualidade de ensino que precisamos conquistar exige mergulhos corajosos.A Presidente Dilma e muitos Educadores que são líderes petistas sabem bem disso.Dai minha convicção de que este é apenas um boato para nos distrair...nos bastidores do poder a questão é bem mais complexa!!!