5 de abril de 2010

à esquerda da rio

à esquerda da rio está a felicidade
Lá as águas são mais puras, e a cachoeira é suave
à esquerda do rio esquece-se da sofreguidão
pode-se admirar samambaias e jasmins
pode-se pescar o mais saboroso peixe
das muitas espécies que há por lá.

à esquerda do rio as aves cantam com mais prazer
é melhor a sonoridade de um tom menor de um sabiá
à esquerda do rio o alvoroço das árvores ao vento
nos servem de relaxamento como em nenhum outro lugar

Estou te dizendo isso porque até agora vivi na margem direita do rio
Só, sem ter por que, solto no redemoinho da vida
Do lado direito do rio tudo é amargo e mau. Tudo é triste.

Haverei de te levar até a outra margem
lá terei teu corpo colado ao meu
teu sorriso abrindo o meu
tua alegria expandindo a minha
teus sonhos envolvendo os meus

e colheremos flores
e comeremos frutas
e tomaremos banhos ao lado dos peixes encantados,
e ficaremos olhando a correnteza
e depois nos deitaremos na relva como convém aos amantes
e então eu não serei mais o homem triste de antes

4 comentários

Butcher

A Avelina me apresentou como "poeta cabloco". Uma poética definição.Sou mineiro do interior, é natural. Sou grato à ela. Mas não tenho a pretensão ser poeta formalmente. Escrever poesias são pra mim um prazer e um transtorno, porque ás vezes me dão prazer,mesmo que momentâneo, noutras me pego rimando palavras que deveriam ser ditas com seriedade.É quase um vício mesmo. reconheço que meus escritos são meio barrocos.
Fiz o poema acima para uma comunidade do Orkut. Mas depois, pensando bem, achei que ele tinha mais a ver com este blog, por isso resolvi postá-lo.
Espero que gostem.

Avelina Martinez Gallego

Butcher, gostamos muito.
seguimos dando braçadas em direção à margem esquerda do rio.
Eu não me enganei ao convidá-lo, vc. trouxe suavidade e poesia às palavras que devem ser ditas.
Tenho orgulho de ser sua amiga.

Marlene

amei o poema...Parabéns! Deu uma suavidade no espaço e com direito da gente "viajar" na imaginação!

Butcher

Marlene, quem me assoprou este poema foi João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas.