27 de março de 2010

QUEM FERIU O POLICIAL?





A bela foto do professor grevista, socorrendo um PM da tropa de choque mobilizada para impedir que a manifestação dos professores paulistas chegasse ao Palácio dos Bandeirantes, percorreu todo o Brasil rapidamente, graças à maravilha do mundo da web.
A virtude da web, com sua rapidez nas informações acaba sendo também uma desvatagem para termos uma atitude mais reflexiva sobre os acontecimentos.
É a informação "video clip", mal vimos uma foto ou informação e já recebemos outra, às vezes totalmente oposta à anterior. A cabeça dos devoradores de informações fica em ebulição, não tendo o tempo necessário para processar as informações recebidas, refletir sobre elas e fazer as ligações com as causas e consequências das informações.
Publicamos ontem a foto do professor solidário socorrendo o PM e, um comentário de uma seguidora do blog, nos fez pensar sobre a cena e a atitude dos grevistas e das tropas policiais.
Os grevistas fazem greve.
Tem uma pauta de reivindicações:
melhorias salariais
melhoria de condições de trabalho
diminuição de horas de trabalho em sala de aula, enfim melhorias de condições que a categoria entende necessárias para melhor desempenhar sua nobre missão.
As Tropas de Choque reprimem.
Este é o seu papel, servir de escudo protetor para os que estão no poder, e não querem atender ou negociar as reivindicações dos trabalhadores grevistas.
Já nos últimos anos da ditadura militar, os estudantes e trabalhadores que saiam em manifestações tinham um slogan para provocar as tropas de choque convocadas para intimidá-los. Olhavam nos olhos dos policiais que em atitude ameaçadora acompanhavam as passeatas e gritavam:
"você aí parado também é explorado!"
Acho que não surtia nenhum efeito na consciência dos policias, mas pelo menos deixavam a sementinha da dúvida.

Não podemos nos enganar é da natureza das forças repressivas do Estado, reprimir.
Poesia é em outro departamento.
Mas as forças repressivas mudam de acordo com as que estão, naquele momento, no poder.
É ensinado nas academias de polícia como se deve portar o policial de acordo com quem comanda. Quem comanda é colocado no comando por quem tem o poder político.
Um amigo militar, que no período da administração Luisa Erundina esteve no comando da Guarda Civil Metropolitana sempre dizia:
Na admnistração de Erundina, os policiais eram treinados para atirar nas pernas, para parar o ladrão fugitivo.
Na administração de Maluff, os policiais eram treinados para atirar na cabeça.
Uma questão de estilo pessoal de quem comanda.
Voltando ao comentário de nossa leitora sobre a foto do professor socorrendo o policial:
"Reparem na postura corporal do policial, abraçado ao professor que o socorreu"
Eu senti muito orgulho da atitude do professor e muita pena do policial, mas lembrei-me dessa outra foto do (até hoje 31/03/2010) todo poderoso governador de São Paulo e me deu muita raiva.
Sentimento mesquinho?
Fazer o quê?
Também é da natureza humana ter todos esses sentimentos ao mesmo tempo.

1 comentário

Rosangela Basso

Policial é socorrida

Em manifestação de Professores.
Com relação à foto publicada na grande imprensa de uma policial sendo socorrida, a Polícia Militar esclarece que trata-se da Soldado Erika Cristina Moraes de Souza Canavezi, que foi ferida com uma paulada no rosto e que está sendo socorrida por um policial militar a paisana.

A policial foi atendida no Hospital Albert Ainsten medicada, liberada e passa bem.

A Polícia Militar agradece as manifestações de solidariedade.


http://www.policiamilitar.sp.gov.br

Explica isso Serra.

É! A coisa está pior do que parece e o inferno astral de Zé Chirico continua.